Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Jupiá. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta Jupiá. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

23 de fevereiro

23 de fevereiro

1870 - Corumbá recebe o frei Mariano



Procedente de Cuiabá, onde foi nomeado vigário de Corumbá, chega à cidade, frei Mariano de Bagnaia. Seu retorno ao Sul do Estado, foi noticiado no Rio de Janeiro:

MATO GROSSO - Comunicam-nos de Corumbá, que àquela vila chegara no dia 23 de fevereiro p.p. o missionário apostólico Frei Mariano de Bagnaia.

O ilustre missionário teve uma recepção estrondosa. Desceu ao porto o batalhão com toda sua oficialidade e música e rodeado de imenso povo a recebê-lo. A alegria e o júbilo enchiam todos os corações e se manifestavam em todos os semblantes pelo feliz regresso do incansável missionário.

Altos juízos de Deus! cinco anos antes, da vila de Miranda, hoje arrazada e deserta, o mesmo missionário escoltado por 25 soldados paraguaios era levado prisioneiro para o Paraguai, onde sofreu um longo e cruel martírio! Cinco anos depois, na vila de Corumbá era Frei Mariano escoltado por 25 músicos de batalhão que o recebiam em triunfo! "...Cum ipso sum in tribulatione...Quoniam in me speravil, liberabo eum (Ps 90)".

O primeiro cuidado de Frei Mariano apenas chegado, foi reconstruir e reconciliar a igreja da vila, que fora arrasada pelos paraguaios, cometendo até dentro dela um assassinato e servindo-se da madeira para fazerem trincheira.

A reconciliação foi feita com toda pompa e solenidade, havendo missa cantada e Te-Deum, cuja música foi dirigida pelo distinto coronel Hermes, comandante daquela fronteira, que muito tem coadjuvado as obras da igreja.

Pregou Frei Mariano e tomou por tema do sermão a história de Neemias, cuja analogia ao caso não podia ser mais perfeita.


FONTE: O Apóstolo (RJ), 15 de maio de 1870.



23 de fevereiro


1911 - Construção do paço municipal de Campo Grande


Vista para a atual avenida Afonso Pena, esquina Calógeras

Os construtores Amando de Oliveira e Antônio Gonçalves Fagundes firmam contrato com a Intendência Municipal para construção do edifício da Intendência, da Câmara Municipal e da cadeia pública.
O prédio deveria obedecer às seguintes especificações:


a) 16 metros de frente x 8 m de fundo e 3,80 m de pé direito e mais 0,80 de platibanda;


b) sete compartimentos assoalhados e formados de madeira de lei, devendo as prisões serem assoalhadas de pranchões de cerne e ter no mínimo 0,10 de espessura;


c) alicerces em alvenarias de pedras, que se elevará até o nível do assoalho, de onde se iniciará a alvenaria de tijolos, devendo os alicerces das prisões terem 50 cm mais do que os outros.


d) cobertura de telhas de boa qualidade, assentadas em caibros e ripas serradas e de madeira de lei;


e) amarramentos e vigamentos de madeira de cerne;


f) rebocada com cal e areia e caiada internamente, acimentadas as molduras da frente.


g) pintura a óleo e com duas mãos de tinta em todas a portas e janelas, bem como as paredes interiores serão caiadas;


h) passeio de pessoas de tijolos na largura de 1,50 m na frente do edifício;


i) janelas e portas exteriores com 2 folhas de almofadas, sendo também envidraçadas, com 2 folhas cada uma, as janelas destinadas para o paço municipal;


j) as janelas das prisões levarão também grades de ferro;


k) as paredes laterais terão de espessura: das prisões, no mínimo 40 cm e das demais 27 cm e a interiores: das prisões, 27 cm e das demais 15 cm.
O pagamento dos 20 contos de réis aos contratados, preço e quantia para o que propuseram a execução das referidas obras será em quatro prestações iguais: 1a. no respaldo dos alicerces; 2a no respaldo das paredes; 3a depois de coberta; e 4a na entrega do edifício.” 


Inaugurado dois anos depois à Avenida Marechal Hermes (atual Afonso Pena) esquina com a Santo Antônio (Calógeras), o prédio abrigou a prefeitura e a Câmara Municipal até meados da década de 70, quando foi vendido e domolido pelos novos proprietários. Atualmente (2014) funciona no local uma agência do Bradesco. Não se tem notícia de que no local tenha funcionado a cadeia de que trata o referido contrato.


Pela municipalidade assinou o documento, o intendente geral do município, José Santiago.


Antes da construção do prédio, a prefeitura funcionava na casa do prefeito, onde eram realizadas também as reuniões da câmara municipal.


FONTE: Arquivo Municipal de Campo Grande (Arca), Livro de contratos da Intendência de Campo Grande, livro 126 b
FOTO: Album Graphico de Matto-Grosso, Corumbá-Hamburgo, 1914.




23 de fevereiro

1964 - Iniciada a linha de transmissão entre Jupiá e Campo Grande




Usina de Jupiá em construção



Com a inauguração da primeira torre entre Três Lagoas e Campo Grande, chega ao Sul de Mato Grosso o marco inicial da energia hidrelétrica da usina de Jupiá, a primeira do complexo de Urubupungá. Ao ato, presidido pelo governador Fernando Correa da Costa, compareceu o representante do governador de São Paulo (Ademar de Barros) e da Celusa (Centrais Elétricas do Urubupungá S/A), José Aflalo Filho, que discursando na ocasião, ressaltou a importância do empreendimento em seus aspectos sócio-econômicos, com destaque para a questão industrial:

"No momento em que a mais grave crise de energia elétrica ronda ameaçadoramente diversos estados da União, impondo racionamentos e medidas outras tendentes a evitar um colapso total, rejubila-se o Estado de São Paulo em vir trazer aos matogrossenses este marco que significa, praticamente, para a região sul deste grande Estado, imprescindível fator de progresso.

"Na verdade, a entrada em operação da usina de Jupiá, em construção pela Centrais Elétricas de Urubupungá S/A - CELUSA, prevista para 1966, e a construção da linha de transmissão Jupiá-Mimoso-Campo Grande, que hoje iniciamos, são elementos que, com certeza, nos asseguram aquela previsão.

"Não poderia, entretanto, falar nesses empreendimentos sem ressaltar a atuação do ilustre governador de São Paulo, dr. Ademar de Barros. Eles, nos dias de hoje, são entusiásticas realidades graças ao descortínio de S. Exa. que, deixando de lado egoísmos regionais, compreendeu perfeitamente o significado de Urubuoungá.

"Essa obra que irá beneficiar toda a região Centro-Oeste do país, ou melhor, seis estados da federação - Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e São Paulo - mereceu do governador Ademar de Barros toda especial atenção, tanto assim que, mesmo da difícil conjuntura econômica por que atravessa a Nação, tem dado todo o apoio financeiro às usinas do conjunto Urubupungá. Sim, porque além de Jupiá, o timoneiro dos paulistas, com sua larga experiência administrativa, já tomou as primeiras providências para o início da hidrelétrica de Ilha Solteira.

"Por outro lado, esta linha de transmissão, situada neste Estado, trazendo benefícios unicamente para Mato Grosso, nem por isso deixou de merecer todo o interesse de S.Exa., que não só autorizou a sua imediata construção como também desejou estar presente a esta festa comemorativa como marco de uma nova era de progresso.

"Justifica-se nossa alegria por esta comemoração. Velha e justa aspiração do Estado de Mato Grosso hoje se torna realidade.

“Os anseios dos nossos laboriosos irmãos mato-grossenses têm a sua razão de ser. No setor industrial, mormente no da metalurgia a existência de energia abundante acentua a instalação de indústrias pesadas. Esta tendência, já manifestada em São Paulo desde 1940, com a criação dos parques industriais de Moji das Cruzes, Taubaté, Sorocaba e Piracicaba, com as usinas e fábricas em funcionamento, é prova insofismável. Em Corumbá, por exemplo, já existe um alto forno a carvão de madeira, que opera minério de ferro e manganês de Urucum. Com energia abundante, novas indústrias siderúrgicas florescerão nesta vasta região, até hoje tolhida em seu anseio de expansão pela falta deste elemento de infra-estrutura.


"Quanto aos aspectos econômico-sociais, deve-se assinalar que ao longo desta linha de transmissão se dará, futuramente, a completa integração dos que aqui vivem.

"Foi tendo em vista estes aspectos que o Exmo. governador de Mato Grosso, Fernando Correa da Costa tornou-se um dos grandes baluartes na luta pela construção do conjunto de Urubupungá, que uma vez realizado, concretizará a sua previsão consubstanciada na reunião de 1951 dos governadores da Bacia do Paraná e da indicação em 1955, que pedia para a construção de Urubupungá a prioridade nas atividades da Comissão Interestadual que representa os estados que a compõem.

"Ainda o ilustre homem público que dirige os destinos de Mato Grosso fez deste Estado o terceiro acionista da CELUSA, circunstância que hoje tem a consequência deste benefício."


A energia de Urubupungá chegaria a Campo Grande antes do final do década. 



FONTE: revista BRASIL OESTE, n° 90. Página 22

 



23 de fevereiro


2011 - Murilo Zauith toma posse na prefeitura de Dourados


Escolhido em eleição extraordinária, para preencher a vaga deixada com a renúncia do prefeito Ari Artuzi, assume a prefeitura de Dourados o ex-vice-governador Murilo Zauith (DEM) e sua vice Dinaci Ranzi (PT). O ato foi prestigiado pelo governador André Puccinelli. O mandato será encerrado no dia 1° de janeiro de 2012. Veja o discurso de posse do novo prefeito.



FONTE: o autor, com vídeo de Maurício Nantes cedido pela viamorena.com

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

14 de abril

14 de abril

1867 – Expedicionários deixam a colônia de Miranda rumo ao Apa






Em direção à fronteira e invasão da república paraguaia, os expedicionários brasileiros deixam a colônia de Miranda às margens do rio Miranda. No dia anterior, o coronel Camisão, comandante da força brasileira, dirige aos seus soldados a seguinte proclamação:

Camaradas! Amanhã sairemos para o Apa! Nas margens daquela divisa do território brasileiro flutuará pela primeira vez o Pavilhão Nacional! Seja a sua aparição saudada pelo clamor uníssono dos peitos patriotas, mantida constância e coragem, sustentada pela dignidade do militar. – Os exércitos do Sul alcançando a glória que Deus distribui aos homens inflamados pelo amor da Pátria, traçarão a linha que deveis seguir. – Cercando a bandeira, emblema de nossa civilização, de nossa constituição política, de nossa honra, levantai-a tão alto que o Brasil em peso nos atire as bênçãos de reconhecimento e que o mundo declare haveis bem merecido de vosso país. – Confiai sempre em vós, nos vossos chefes, na Estrela do Império. O Deus das Batalhas nos protegerá e o anjo da Vitória, adejando sobre vossas frontes, arrebatará à imortalidade os mártires, coroando aos vitoriosos.

- Carlos de Moraes Camisão, coronel comandante.

Conforme

O alferes Amaro Francisco de Moura, Secretário Militar.

Taunay detalha o evento, ressaltando a ausência de cavalos para a tropa:

Já a vanguarda, contudo, devia dar-lhe motivos para reflexão, composta como era de nossa cavalaria desmontada. E com efeito já relatamos que não tínhamos mais cavalos, todos vitimados na região de Miranda por uma epizootia do gênero de paralisia reflexa que a nós mesmos, tão cruelmente, viera provar. Quando muito pudera o serviço de faxina conservar alguns muares. Faltava-nos o elemento primordial da guerra nestes terrenos, a cavalaria; e não havia quem com isto não se impressionasse.

"Mal grado a diferença de feição - continua o historiador da marcha - a que se rinham de resignar, nada perderam os nossos caçadores do aspecto marcial. Após eles marchava o 21º batalhão de linha, precedendo uma bateria de duas peças raiadas; depois o 20º batalhão, outra bateria igual à  primeira, acompanhada pelo 17º de Voluntários da Pátria; e afinal as bagagens, o comércio, com a sua gente e material, e as mulheres dos soldados, bastante numerosas.

Ocupava o gado o flanco esquerdo, com as carretas de munições de guerra e de boca, massa confusa protegida por forte retaguarda".





FONTE: Taunay, A retirada da Laguna, 16a. edição, Edições Melhoramentos, S. Paulo, 1942, páginas 150 e 49.

FOTO: Ilustração da capa da 16a. edição do livro Retirada da Laguna, de Taunay.






14 de abril

1969 – Entra em operação a usina de Jupiá



Jupiá a primeira usina do complexo hedrelétrico do rio Paraná
Iniciada em 1961, no governo do presidente Juscelino Kubitscheck, passa a funcionar a primeira unidade geradora da hidrelétrica de Jupiá, a pioneira do complexo energético de Urubupungá, no rio Paraná. “A construção ao longo de treze anos – atesta Jesus H. Martin – representou a conquista de uma tecnologia integralmente nacional para a edificação de grandes barragens, propiciando ao mesmo tempo a formação de um canteiro industrial. Em virtude de sua localização, distante cerca de 670 quilômetros da capital, foi necessária a construção de um linhão que atravessa todo o Estado. Este linhão transportava a energia gerada até a Grande São Paulo, considerado o maior centro consumidor da América Latina”.

O último dos 14 geradores, entrou em operação em 30 de junho de 1974.




FONTE: Jesus H. Martin, A História de Três Lagoas, edição do autor, Três Lagoas, 2000, página 72.


14 de abril

1977 - Corumbá faz companha contra a divisão do Estado


Cássio Leite de Barros, vice-governador de Mato Grosso

Menos de um mês antes do anúncio oficial da divisão de Mato Grosso, ocorrida em 3 de maio de 1977, era intensa a campanha de políticos e população corumbaense contra a separação. Na verdade, a cidade branca acalentava o sonho de ser transformada em terceiro estado, como capital de uma unidade federativa juntando os municípios do Pantanal do Norte e do Sul. A contestação de Corumbá foi registrada pelo Jornal do Brasil (Rio) com nota encimada pelo título Corumbá contesta divisão:

"Cuiabá - A população de Corumbá, que na década de 60 acalentou o sonho de pertencer a um território independente ou mesmo um Estado, teme que a anunciada divisão de Mato Grosso prejudique o desenvolvimento do município, quase todo encravado na bacia do Pantanal e cuja maior riqueza é a pecuária.

A preocupação que deu origem ao slogan Nem com o Sul, nem com o Norte, como Estado Corumbá será mais forte, é também das autoridades estaduais, como o vice-governador Cássio Leite de Barros, que reside em Corumbá, onde, além de outros interesses, possui uma das maiores criações de gado da região pantanosa".

FONTE: Jornal do Brasil (RJ), 14 de abril de 1977.

FOTO: Governo do Estado do Mato Grosso.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

7 de junho

7 de junho


1861 – Nasce Joaquim Augusto da Costa Marques


Filho de Poconé, Costa Marques fez o primário em sua cidade e o secundário em Cuiabá. Em 1891, bacharela-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo e volta para Mato Grosso, instalando-se em São Luiz de Cáceres. Na política, filia-se ao antigo partido nacional, mais tarde democrata, participa ativamente do movimento que derrubou o presidente Manuel Murtinho, em 1892. Em 1899, com a cisão do Partido Republicano, adere à liderança do coronel Generoso Ponce.

“Sempre solidário com o povo de sua terra nas suas memoráveis reivindicações – lembra Nilo Póvoas – não hesitou em participar do movimento revolucionário de 1906, tendo comandado uma brigada de que se compunha o Exército Libertador que pôs cerco à capital matogrossense, fazendo ruir por terra o despotismo do coronel Antônio Paes de Barros.”


Deputado federal, elegeu-se governador em sucessão ao coronel Pedro Celestino Correa da Costa. Governou de 1911 a 1915. Foi o primeiro governante estadual a visitar Campo Grande, em 11 de outubro de 1912. Em sua homenagem a municipalidade colocou o seu nome na principal praça da cidade, atualmente praça do Imigrantes, no final da rua 26 de Agosto. Faleceu em Cáceres a 2 de dezembro de 1939. 



FONTE: Nilo Póvoas, Galeria dos varões ilustres de Mato Grosso, Fundação EStadual de Cultura, Cuiabá, 1978. Página 95.





7 de junho

1883 - Nioaque ganha sua primeira escola pública e retoma nome original



Resolução nº 612, do governador Barão de Batovi, da província de Mato Grosso, devolve o nome original da vila e cria a primeira escola de Nioaque:

"Art. 1º - A freguesia de Levergeria, criada pela lei provincial n. 606 de 24 de maio de 1877, se denominará d’ora em diante – freguesia de Santa Rita de Nioaque.

Art. 2° - Fica criada uma cadeira de instrução primária para ambos os sexos na mesma freguesia.

Art. 3° - O professor nomeado para reger a mesma cadeira perceberá o ordenado anual de 600$000 réis e a gratificação de 200$000, revogadas as disposições em contrário.

Mando portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e a execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém. O secretário da província a faça imprimir, publicar e correr. Cuiabá, aos sete dias do mês de junho de 1883, 62° da independência e do império.

Barão de Batovi".

 


7 de junho


1964Americanos em Urubupungá



Lincoln Gordon (de óculos escuros) vistoria obras de Jupiá com o governador
Fernando Correa da Costa, o primeiro à esquerda
Durante visita ao Estado, o embaixador americano Lincoln Gordon esteve em Cuiabá, Corumbá, Campo Grande e Dourados, encerrando a viagem no dia 7 com visita às obras de Urubupungá. No dia 5, o diplomata assinou com o governador Fernando Correa da Costa, convênio de financiamento da Aliança para o Progresso ao Plano de Eletrificação de Mato Grosso no valor de US$ 6.230.000,00. Em Jupiá, acompanhados do governador e do ministro Roberto Campos, do Planejamento, os americanos percorreram as obras da usina de Urubupungá, “sendo então informados de que o cronograma vem sendo cumprido, de forma que as primeiras unidades poderão iniciar a produção de eletricidade em princípios de 1967".

A usina de Jupiá entrou em funcionamento em 14 de abril de 1969.



FONTE: Revista Brasil-Oeste, n° 94. Página 42.

domingo, 6 de março de 2011

17 de agosto


17 de agosto



1872 Instalada câmara municipal de Corumbá


Suprimido o município em 8 de novembro de 1869, em consequência da ocupação inimiga e restaurado pela lei provincial de 7 de outubro de 1871, sancionada pelo governador Francisco José Cardoso Junior, instala-se a Câmara Municipal de Corumbá.

A primeira sessão é presidida pelo vereador José Joaquim de Sousa Franco e secretariada pelo vereador mais moço, Miguel Henrique de Carvalho. Presentes os demais vereadores: Antônio Joaquim da Rocha, José Gomes Monteiro, João Pimenta de Moraes e Dionísio Pimenta da Mota.”



FONTE: Lécio Gomes de Souza, História de Corumbá, edição do autor, Corumbá, sd, página 68.





17 de agosto



1924 - Rebeldes desembarcam am Jupiá



Vencidos em São Paulo, os rebeldes ao governo de Arthur Bernardes tomam o rumo de Mato Grosso. “Pretendiam atingi-lo através da estrada de ferro Noroeste, mas cientes de que forças governistas esperavam-nos em Três Lagoas, derivaram pela estrada de ferro Sorocabana, para o porto Epitácio, à margem do rio Paraná.

Não existindo estrada de rodagem para o acesso ao território sul-mato-grossense – por esse ou por outros motivos de natureza tática e estratégica – os rebelados resolveram tomar Três Lagoas, dominando a via férrea, para marcharem rumo ao oeste.


De Porto Epitácio, ao qual foi dado o nome de Porto Joaquim Távora – irmão de Juarez, morto em combate na cidade de São Paulo - pequena tropa subiu em dois barcos para as proximidades de Três Lagoas, para bater os governistas.


Em 17 de agosto de 1924, sob o comando de Juarez Távora (foto), os rebelados desembarcaram no porto Jupiá, pouco abaixo de Três Lagoas. O batalhão de Juarez estava reforçado com 570 homens pouco ou nada afeitos às armas – imigrantes alemães e italianos, aos quais os revolucionários prometeram terras no pós vitória. Em marcha forçada sobre os areais e um calor abrasador, sem provisão alguma, os soldados do major Juarez avançaram.


Uma patrulha governamental localizou os rebelados e trocaram-se alguns tiros. Os rebeldes avançaram, acampando à margem de pequeno regato, onde saciaram a sede, mas não a fome.


Ao amanhecer, a pequena coluna de Juarez marchou rumo à cidade para atacá-la. Tão logo chegada aos arrabaldes da pequena cidade ferroviária, as metralhadoras do inimigo despejaram rajadas sobre ela. Ordens são dadas em altos brados – em português, italiano e alemão – do ‘avançar’, e a soldadesca obedece! Os briosos rebeldes ultrapassam uma, duas trincheiras inimigas colocadas em meio a altos capinzais ressequidos, sob o fogo de metralhadoras. O flanco direito dos legalistas foi ultrapassado pelos rebeldes, sob fogo de fuzilaria e metralha pela retaguarda. Resistiram. Tomam as posições inimigas da vanguarda legalista, nela incluída a cozinha, ensejando matar a fome de muitos.


Juarez, confiante, ouvia o movimento das locomotivas, parecendo demonstrar que os legalistas estavam fugindo ao seu pequeno exército de inexperientes soldados. Ledo engano! Os legalistas, conhecedores do terreno, atearam fogo às macegas, fazendo-os recuar, ocasião em que investiram resolutos, causando enormes baixas aos rebelados. Era a derrota dos bravos de Juarez”.


Em seu livro de memórias, o comandante Juarez defere a versão da história e completa

...após duro combate de várias horas, obrigado a retirar-se, já sem munições e sob ameaça de envolvimento por fogo ateado à macega e por elementos inimigos que se deslocavam sobre um de seus flancos, encobertos pela fumaça da queimada. Deixava o Batalhão, no campo de combate, entre mortos, feridos e aprisionados, um terço de seu efetivo, aí incluídas suas duas Seções de Metralhadoras Pesadas.



FONTE: ¹Acyr Vaz Guimarães, Mato Grosso do Sul, sua evolução histórica, Editora UCDB, Campo Grande, 1999, página 261. ²Marechal Juarez Távora, Uma vida e muitas lutas, Biblioteca do Exército/Livraria José Olímpio Editora, Rio de Janeiro, 1974,página 150.

FOTO: fernandomachado.blog.br http://bit.ly/dNT8UD)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

3 de abril



3 de abril

 

1865 – Chegada em São Paulo da força expedicionária

 

Chega a São Paulo o coronel Manoel Pedro Drago à frente dos oficiais, responsáveis pela formação da força expedicionária de Mato Grosso, destinada a combater os invasores do território brasileiro.

Com ele chegaram à capital paulista oficiais dos corpos de engenheiros, artilharia e saúde, que se juntarão a outros, no percurso até Coxim, na província de Mato Grosso.

O exmo. Sr. Conselheiro presidente da província mandou um piquete de cavalaria, comandado por um oficial ao encontro do sr. Coronel Drago, assim como uma guarda de honra para a porta do Hotel de Itália, onde S. Ex. está hospedado. Consta-nos que muitos oficiais dos corpos que se acham nesta capital foram igualmente ao encontro do sr. comandante das armas de Mato Grosso.

Ontem, o exm. Sr. Conselheiro Crispiniano Soares e seu ajudante de ordens, o sr. major Macedo, foram cumprimentar ao exm. sr. coronel Drago, assim como a oficialidade dos corpos aqui estacionados.1

 “Depois de uma demora de 7 dias em S. Paulo – segundo Taunay – a fim de se tratar do recebimento e organização da força destinada à expedição, constando de uma companhia de cavalaria de linha, do corpo de guarnição da província de S. Paulo e do corpo fixo da província do Paraná, deu-se a partida da mesma força, no dia 10, pelas 4 e meia da manhã”. 2

  ¹Correio Paulistano, 5 de abril de 1865; ²TAUNAY, Marcha das forças, Melhoramentos, S. Paulo, 1928, página 13.

 

 

 

3 de abril
1868 – Paraguaios deixam Corumbá


Fortificações antigas em Corumbá. Marcas da guerra do Brasil com o Paraguai


A fim de reforçar os exércitos na frente Sul do país, ao avanço das forças aliadas, dá-se a evacuação de Corumbá, ocupada desde o início da guerra em 1864. Lécio Gomes de Souza pormenoriza o acontecimento:

"Somente a 3 de abril de 1868 dar-se-á a evacuação de Corumbá e, na passagem dos navios que transportavam a tropa pelo Forte, a de Coimbra. Solano Lopez a determinara a fim de reforçar os exércitos na frente meridional, ao avanço inexorável das tropas aliadas, após a passagem de Humaitá a 19 de fevereiro daquele ano, quando a vila ficara em completa ruína e a fortaleza totalmente arrasada, facilitando, assim, a subida e a vitória definitiva dos efetivos aliados.

A certeza de que Corumbá ficara liberta da prolongada ocupação confirmar-se-ia meses depois. De ordem do vice-presidente da província, então em exercício do governono, Barão de Aguapeí, a 17 de agosto de 1868 partia de Cuiabá, o capitão João de Oliveira Melo, com uma patrulha de 50 homens escolhidos, para verificar 'de visu' a procedência do informe levado pelo capitão Antonio de Oliveira Jamacuru. O valoroso oficial deu cabal cumprimento à incumbência. Regressando à capital, transmitiu informações precisas do que havia observado.

Corumbá jazia deserta, as casas comerciais saqueadas, os edifícios públicos arrombados, muitos prédios incendiados. Tudo era desolação e tristeza. Os habitantes haviam fugido ou estavam prisioneiros nos campos de concentração no Paraguai, muitos já mortos, outros sofrendo maus tratos e torpezas. Ladário, Albuquerque e Coimbra ofereciam o mesmo lúgubre aspecto. Os campos estavam vazios, os rebanhos tangidos para o território inimigo. Parecia que a vida parara nas infelizes localidades. Nem mesmo uma esperança raiava para um possível ressurgimento". 


FONTE: Lécio Gomes de Souza, Historia de Corumbá, edição do autor, Corumbá, sd. Página 64.



3 de abril

1966 - Iniciadas as obras da hidrelétrica de Ilha Solteira

 

Obras da hidrelétrica de Ilha Solteira, no rio Paraná

Às 11 horas da manhã o presidente da República, Marechal Castelo Branco,movimentou o dispositivo elétrico que fez detonar uma carga de dinamite, dando início oficialmente, às obras da Ilha Solteira, principiadas em 1965, com a construção da ensecadeira, que é a obra inicial para a formação da represa, trabalho este que ficou a cargo da firma Camargo Correa S/A, vencedora da concorrência pública feita pela CIBPU, Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai para aquelas obras. 

Nessa ocasião o presidente da República fixou as bases do recurso financeiro para o empreendimento em 600 milhões de dólares, provenientes de um consórcio internacional, liderado pelo Banco interamericano de Desenvolvimento, da Aliança para o Progresso (USAID) e de algumas empresas da Alemanha, Itália, Suiça, Espanha e Japão.

A hidrelétrica de Ilha Solteira foi oficialmente acionada em 31 de março de 1970 pelo general-presidente Emílio Garrastazu Medice e concluída em 1978.

A obra gigantesca deu origem a duas cidades: Ilha Solteira, em São Paulo e Selvíria em Mato Grosso do Sul, constituídas por trabalhadores em sua implantação.



FONTE: Enzo Silveira, Urubupungá Jupiá-Ilha Solteira, Gráfica Editora Alvorada, Campo Grande, 2012, página 353.


3 de abril

2001 – Morre em Dourados o ex-prefeito José Cerveira


José Cerveira, professor Kiochi Rachi, Sultan Raslan e Luiz Antonio

Faleceu em Dourados, o ex-prefeito José Cerveira. Advogado, deputado estadual por vários mandatos, antes da divisão do Estado, Cerveira exerceu, ao final de sua carreira política, a prefeitura de Dourados. Como vice, ocupou a vaga de José Elias Moreira, que renunciou em 1981 para ser candidato a governador pelo PDS. Na Assembléia Legislativa em Cuiabá, o maior destaque foi para sua defesa ao governador Pedro Pedrossian, quando este esteve ameaçado de impeachment em 1967.


FONTE: O autor.

FOTO: acervo de Kiochi Rachi


 


domingo, 1 de janeiro de 2017

3 de janeiro

3 de janeiro

1865 – Tropas paraguaias ocupam Corumbá
                                 Francisco Solano Lopes, ditador paraguaio



Após a tomada do forte de Coimbra no dia 28 de dezembro, as forças paraguaias, sem resistência, entram triunfalmente em Corumbá. O episódio é acompanhado pelo historiador Other de Mendonça:

A coluna paraguaia ao mando do Coronel Vicente Barrios, cunhado do marechal Solano Lopez, a 3 de janeiro de 1865, efetua desembarque e ocupação de Corumbá, abandonada desde o dia anterior.

Do navio-chefe, fundeado junto à Mesa de Rendas, o comandante da expedição assistiu ao desfilar das tropas, divididas em duas seções, sobressaindo o fardamento novo, de um vermelho vivo, dos batalhões sexto e sétimo, este ocupando a vanguarda. Parte da expedição já havia ocupado a povoação do Ladário.

Pelas ladeiras que punham em comunicação o porto com a parte alta da vila, a força invasora serpeava em marcha acelerada, armas em prontidão, penetrando desembaraçadamente nas poucas ruas então existentes na localidade.

De quando em quando ponteando aqui e ali, raros moradores apareciam, confiantes nas suas imunidades de estrangeiros e abrigados sob as bandeiras das respectivas nacionalidades; os naturais que não puderam fugir por água internaram-se, desamparados, pelos matos vizinhos, sem guia e sem recursos".¹

Sobre o episódio, Barrios encaminha ao ministro da guerra de seu país a seguinte parte:

"Viva a Republica do Paraguay.- Sr. ministro.-
Tenho a honra de participar a V. Ex. que se acham em
nosso poder Albuquerque e Corumbá.

O pavilhão nacional tremula nesta ultima desde 3 do corrente, dia da minha chegada.

A população brasileira e guarnição destes pontos tinham-se retirado antes da nossa chegada por notícias transmitidas oportunamente pelo barão de Villa Maria, segundo declarações tomadas.  Estamos pois de posse destes pontos sem queimar um só cartucho, tendo sido a fuga do inimigo tão precipitada que deixou, como em Coimbra, toda a artilharia, armamento geral, munições e apetrechos de guerra. 

A canhoneira Anhambahy foi perseguida e tomada por abordagem no dia 6 do corrente no rio S. Lourenço pelos vapores desta divisão.

O quartel de Dourados se encontrou também abandonado.

Os vapores Ipora e Apa que fizeram o reconhecimento do Rio de S. Lourenço aprezaram o já citado vapor Anhambahy, cuja tripulação pereceu em parte, escapando-se alguns, e prisioneiros outros, comportando-se bizarramente o 1º tenente de marinha, cidadão André Herreros, a quem havia confiado esta missão e
comandava o Ipora, que deu abordagem.

Os vapores Taquari e Marquez de Olinda estão no quartel dos Dourados, onde também o inimigo abandonou um grande parque.

O povoado de Corumbá caiu em nosso poder com a maior parte de suas casas saqueadas pelos poucos habitantes que se encontraram, porém desde a chegada das nossas tropas pôs-se termo a tal desordem. 

Informado que muitas famílias fugindo deste povoado se acham metidas pelas matas, dispus que dous vapores e força de terra as recolham e devolvam ás suas casas, e neste momento me avisam que chega o Paraguai com muitas famílias, e quando as tiver desembarcado voltará ao mesmo objecto.

Enquanto dou a V. Ex. uma parte detalhada, aproveito
o regresso do 2º tenente Godoy no vapor inglês Ranger, chegado ontem, para dar a V. Ex. esta primeira noticia.

Deus guarde a V. Ex. por muitos anos. Acampamento em

Corumbá, 10 de Janeiro de 1865.- Vicente
Barrios.

A S. Ex. o Sr. ministro da guerra e marinha.

Viva a Republica do Paraguay.²

Ainda sobre a ocupação do Corumbá, o coronel Vicente Barrios inclui detalhes neste amplo relatório aos seus superiores sobre os primeiros dias da invasão ao território brasileiro: 

As 5 e 1/2 da tarde do dia seguinte, depois de haver conferido o mando do ponto ao subtenente  Feliz Vera e de haver ordenado o embarque,  pus-me em marcha sobre Corumbá, não sem antes haver-me assegurado de que Albuquerque possuía recursos suficientes em gado e estabelecimentos agrícolas para a manutenção da guarnição, julguei prudente continuar por água com as forças de meu  comando, porque, embora haja um caminho terrestre, não possuía a mobilidade suficiente para esta operação de dispunha de uma pessoa de bastante confiança para servir de guia.

Pelos informe obtidos sabia por outra parte,que, há pouco menos de 2 léguas, poderia dispor de um sdesembarcadouro.

Na tarde do dia seguinte 3 do corrente, cheguei  ao lugar citado e ordenei  que a tropa do desembarque saltasse à terra, operação que se deu com brevidade. Pelo silêncio observado nas choças situadas na imediação se via o abandono do local e na noite foram feitas explorações que na manhã do dia seguinte levaram o capitão Fleitas com as 4 companhias de infantaria encarregadas por este serviço, adquirindo a notícia de que as autoridades civis e militares do lugar haviam fugido com sua guarnição e moradores para Cuiabá.

Ao mesmo tempo se observou uma bandeira branca em direção à povoação  e o Rio Apa foi despachado para saber o que importava aquele sinal no rio e encontrando pelo caminho uma canoa se apresentaram os negociantes estrangeiros D. Nicolas Canaria Manuel Cavassa e Juan Viacaba que vinham pedir auxílio e proteção a esta divisão contra os saqueadores de casas, que vinham destroçando a cidade abandonada e sendo trazidos à minha presença deram informes circunstanciados sobre o acontecido em Corumbá.

Tão pronto como recebi esta notícia mandei a competente ordem ao capitão Fleitas, destinando ao tenente Gorostiaga com sua companhia para restabelecer a ordem.

Segundo dados obtidos os vapores brasileiros Anhambay e Jauru e a escuna Jacobina haviam saído com tropas do porto de Corumbá, somente um dia antes de nossa chegada. Com esta notícia despachei os vapores Yporã e Rio Apa, que por seu calado permitiam subir o rio São Lourenço em perseguição dos navios brasileiros, assim como reconhecer e explorar aquele rio, porém, por falta de combustível suficiente estas embarcações não puderam partir se não na manhã do dia 4.

Confiei o comando desta expedição de exploração ao tenente de marinha Andres Herrero.

O tenente Jara não tendo encontrado colonos nem cavalos e somente gado trouxe informação de que o barão de Vila Maria tem cavalos e mulas.

A fuga dos chefes brasileiros foi tão precipitada que abandonaram todos os seus recursos, até seus próprios soldados, dispersos em diferentes direções.

A artilharia tomada aqui compõe-se de 23 peças de bronze das quais remeto 17, ficando 6.

A comissão naval de perseguição e exploração encontrou a 6 léguas mais ou menos acima de Corumbá a escuna Jacobina abandonada e atracada em terra. O tenente Herreros mandou tripular e navegar águas abaixo e apresentar-se ao capitão Meza, chefe da frota.

Das averiguações feitas a este respeito, resulta que esta embarcação é de propriedade estrangeira , a mesma em que haviam saído águas acima as tropas de Corumbá, razão porque a conservo para serviços ulteriores, como embarcação tomada em serviço do inimigo.

Para ter notícias de Albuquerque e principalmente para ver se tinha alguns cavalos, despachei no dia 5 o subtenente Manuel Delgado com 20 de tropa, que regressou dando conta de que não viu novidade daquela guarnição e de que não havia encontrado cavalos e somente gado bovino em abundância.

Não sendo de fácil vigilância a embocadura do rio Mbotetey, mandei apostar ali a guarda conveniente.

Quando nossas forças chegaram aqui, a maior parte das casas estavam abertas e saqueadas e em presença e em função disso foram tomadas medidas severas, estabelecendo uma polícia que responde pela segurança e tranquilidade pública. Foram apreendidos quatro criminosos estrangeiros no ato de roubar casas, que serão julgados segundo as leis militares.

Na tarde do dia 6 chegaram um cabo e 2 soldados brasileiros que vinham  de Miranda em canoa e foram tomados com as correspondências oficiais de que estavam encarregados, entre as quais três referentes à tomada das colônias de Miranda e Dourados por forças paraguaias, como o verá E. Exa.

Este chasque foi despachado da vila de Miranda no dia 1°, encontrou-se com outro que levava a notícia da tomada de Coimbra e Albuquerque.

Como o quartel de Dourados, situado a poucas léguas da embocadura do São Lourenço à coisa de 30 acima deste lugar, pudesse haver resistência o Yporã e o Rio Apa, no caso menos provável de que houvesse sido abandonado este lugar, que se pode chamar de arsenal militar, dispus que os vapores Taquari e Marquês de Olinda arribassem até lá para dele apoderar-se.

Das declarações indagatórias tomadas a estrangeiros e brasileiros, resultam que o tenente-coronel Porto Carreiro, comandante de Coimbra, no momento em que chegou a Corumbá havia sido posto em prisão e enviado na qualidade de réu a Cuiabá a bordo do vapor Corumbá pelo comandante de armas Carlos Augusto de Oliveira.

Os vapores Anhambay e Jauru partiram daqui na véspera de nossa chegada, transportando famílias e tropas. Um pailebot brasileiro, uma escuna e uma chalana de propriedade estrangeira serviram também para o transporte de pólvora e de mais de 3.000 homens de tropa.

Os canhões, munições  e demais petrechos de guerra que estão aqui havia sido trazidos, segundo parece, recentemente de Miranda por disposição do comandante de armas.

Segundo a declaração do cabo vindo de Miranda aquele ponto está guarnecido pelo 14 de Caçadores com nove oficiais, sob o comando do capitão Motta, contando com duas peças de artilharia.

A guarnição de brasileira de Corumbá havia feito preparativos de defesa, colocando baterias no barranco em frente à cidade e a três quartos de légua abaixo, estendendo correntes através  dó rio para impedir a passagem de nossos vapores.

Na tarde do dia 8 chegou aqui de regresso o Yporã trazendo a notícia do encontro e tomada do vapor inimigo Anhambay que ganhando a embocadura do rio São Lourenço foi perseguido águas acima em sua precipitada fuga pelo Yporã, sendo mais lenta a marcha do Rio Apa que o IYporã.

Nesta perseguição e durante seis léguas o Anhambay havia feito forte fogo sobre o Ypora que sem contestá-lo procurava dar-lhe caça, como  com efeito lhe deu, tomando-lhe por abordagem por sua tripulação e os poucos infantes comandados pelo alferes Pedro Garay.  O último tiro dado pelo Anhambay antes das abordagem acertou o subtenente  Gregório Benitez que guardava bem seu posto, sendo esta a única baixa que tivemos.

A maior parte da tripulação do Anhambay foi morta atirando-se n’água , de onde escaparam alguns, fazendo-se sete prisioneiros entre eles o 2° comandante.

Imediatamente que o tenente Herreros tomou o Anhambay içou em seu topo a bandeira nacional e tripulando seguiu adiante em perseguição aos demais vapores brasileiros depois de haver despachado o Ypora a trazer-me a notícia do sucesso, os prisioneiros feitos e o aviso do recente abandono do quartel de Dourados com muitos artigos de guerra.

O Taquari e o Olinda estão atualmente no quartel de Dourados, de onde o alferes Fernandez, comandante do Ypora trouxe também quatro canhões e seis lanchões carregados de pólvora e outros objetos bélicos.

O Rio Apa acompanha agora o Anhambay e dentro de breves dias espero notícias da exploração e perseguição encomendada ao tenente Herreros.

Vão chegando as famílias que se buscam nos desertos destes arredores. A população deste lugar foi extraviada nos morros e pantanais pelas aterradoras notícias que lhes foram trazidas pelo barão de Vila Maria e confirmadas pelos fugitivos de Coimbra.³


FONTE: ¹Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, 2ª edição, Governo de Mato Grosso, página 19; ² Antonio Correa do Couto, Dissertação sobre o atual governo da República do Paraguai, Tipografia do Imperial Instituto Artístico, Rio de Janeiro, 1865, página 44. ³El Semanário (PY) Assunção, 14 de janeiro de 1865.


3 de janeiro

1866: Condecorados defensores de Coimbra

Hermenegildo Porto Carreiro, o comendante da resistência


Decreto do governo imperial condecora os defensores brasileiros que resistiram ao ataque das forças inimigas na guerra do Paraguai. Foram agraciados os seguintes cidadãos:

Ordem Imperial do Cruzeiro
Oficial: tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carreiro.
Cavaleiros: Capitão Antonio José Augusto Conrado, segundo tenente João de Oliveira Melo, segundo cadete Manoel Eugênio Barbosa e o segundo sargento Firmino Cesário Monteiro.
Ordem da Rosa: primeiro-sargento Antonio Luiz Vieira, o amanuense da polícia Manoel Nonato da Costa Franco, os guardas da alfândega Justino Urbano de Araújo. Laurindo Antonio da Costa, Manoel Sabino Melo, Evaristo Paes de Barros, o paisano Américo de Albuquerque Porto Carreiro, os componentes da guarda nacional Estêvão Antonio, Caetanos Paes Rodrigues e Francisco Campos e o operário contratado Amaro Francisco dos Santos.

A justificativa para o reconhecimento pelo Marquês de Olinda, ministro do Império, nos seguintes termos:

Atendendo aos relevantes serviços prestados no ataque do forte de Coimbra, nos dias 27 e 28 de dezembro de 1864, pelos oficiais e praças do exército e da guarda nacional e paisanos, cujos nomes constam da relação que com este baixa, assinada pelo marquês de Olinda, conselheiro de estado, presidente do conselho de ministros e ministro e secretário dos negócios do Império, e de conformidade com os §§ 1º e 3º do art. 9° do decreto n. 2.858 de 7 de dezembro de 1861, hei por bem conferir-lhes as condecorações que se acham designadas na mesma relação.

Palácio do Rio de Janeiro, em 3 de janeiro de 1866, 45° da independência e do Império. - Com a rubrica do S.M. o Imperador. - Marquêz de Olinda.

FONTE: Diário do Rio de Janeiro (RJ) 11 de janeiro de 1866


3 de janeiro

1888 – Nasce em Cuiabá, Antero Pais de Barros



Nasce em Cuiabá, Antero Paes de Barros. Professor primário público e particular. Inspetor de ensino primário no Sul do Estado, coletor federal e estadual de Campo Grande, inspetor de Fazenda, vereador e presidente da Câmara Municipal, intendente geral de Campo Grande deposto pela revolução de 30. Fundador do jornal “Correio do Sul”, empastelado por ocasião da vitória da revolução de 30.


FONTE: Rubens de Mendonça, Dicionário Biográfico Matogrossense, edição do autor, Cuiabá, 1971.



3 de janeiro

1961 - Criada companhia administradora da construção da hidrelétrica de Jupiá




É criada em São Paulo a empresa interestadual, destinada a administrar a construção da hidrelétrica de Jupiá, no rio Paraná. O evento, pela importância econômica da obra, teve ampla repercussão:

Em solenidade realizada no Palácio dos Campos Elísios, sob a presidência do governador Carvalho Pinto, foi constituída, em 3 do corrente mês, a empresa que se encarregará do aproveitamento do Salto de Urubupungá: Centrais Elétricas do Urupupungá S.A. - CELUSA. Com exceção do sr. Bias Fortes, de Minas Gerais, estiveram presentes todos os demais governadores dos Estados participantes da Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai: srs. João Ponce de Arruda, de Mato Grosso; José Feliciano Ferreira, de Goiás; Moisés Lupion, do Paraná; Heriberto Hulse, de Santa Catarina e Leonel Brizola, do Rio Grande do Sul. Compareceram também à solenidade os governadores eleitos de Minas Gerais, sr. Magalhães Pinto; do Paraná, major Ney Braga; de Santa Catarina, sr. Celso Ramos; de Mato Grosso, Fernando Correa da Costa, bem como o sr. Walfrido do Carmo, representando o novo governador de Goiás, sr. Mauro Teixeira.

As Centrais Elétricas de Urubupungá constituem o maior aproveitamento hidrelétrico projetado no país e mesmo um dos maiores do mundo: cerca de 4 milhões de HP, beneficiando vasta região dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Paraná, dentro de um raio de 600 quilômetros.

A diretoria da empresa ficou assim constituída: Presidente, sr. Hélio Bicudo; Diretores: sr Diogo Nunes Gaspar, eng. Souza Dias, sr. Nilde Ribeiro dos Santos e sr. Demóstenes Martins. - Conselho Fiscal: titulares - srs. Plínio Queiroz, Fernando de Oliveira e José Pauloni Neto: suplentes - srs. Mário Laranjeira de Mendonça e Antonio Ponzio.

Demóstenes Martins era o representante de Mato Grosso na diretoria da empresa. Iniciada em abril desse mesmo ano, a usina de Jupiá iniciou suas operações em 14 de abril de 1969.

FONTE: revista Brasil-Oeste (SP), janeiro de 1969, página 20.

OBISPO MAIS FAMOSO DE MATO GROSSO

  22 de janeiro 1918 – Dom Aquino assume o governo do Estado Consequência de amplo acordo entre situação e oposição, depois da Caetanada, qu...