domingo, 10 de novembro de 2013

7 de dezenbro


7 de dezembro

1848 – Nasce em Cuiabá, Joaquim Murtinho



Filho do baiano José Antônio Murtinho, presidente da província de Mato Grosso (1868), nasce Joaquim Murtinho. Médico e engenheiro, foi o mato-grossense mais influente na política brasileira no início do século XX, como congressista e ministro em dois governos da República: Viação e Obras, no presidência de Prudente de Moraes e da Fazenda, na de Campos Sales. Com seus irmãos Manoel e Francisco, fundou o primeiro banco de Mato Grosso e assumiu o controle acionário na companhia Mate Larangeira. Seu nome é um dos mais lembrados nas cidades de Mato Grosso do Sul, denominando uma cidade, Porto Murtinho, além de ruas, praças e escolas públicas. Em Campo Grande, além da rua Joaquim Murtinho, uma das mais movimentadas da cidade, é nome do primeiro grupo escolar da cidade, hoje Colégio Joaquim Murtinho, na avenida Afonso Pena.

Curiosidade: Joaquim Murtinho deixou Cuiabá aos 13 anos e nunca voltou ao Estado. 

Faleceu em 18 de novembro de 1911, no Rio de Janeiro.


FONTE: Rubens de Mendonça, Dicionário Biográfico Mato-Grossense, edição do autor, Cuiabá, 1971, página 118

domingo, 3 de novembro de 2013

6 de dezembro

6 de dezembro

1890 – Criado o primeiro banco de Mato Grosso





Rui Barbosa, ministro da Fazenda, do governo do marechal Deodoro autoriza a fundação do Banco Rio e Mato Grosso, com capital de 20 mil contos de réis e sede em Porto Murtinho.

Os sócios principais da nova casa de crédito foram os irmãos Joaquim Murtinho (foto), Manoel Murtinho e Francisco Murtinho. “O primeiro, homeopata, cuiabano de nascimento, foi médico particular de Deodoro e Floriano e exerceu grande influência nos destinos do país, tendo sido ministro da Viação e Obras do governo de Prudente de Moraes e da Fazenda do governo Campos Sales.


O segundo, além de primeiro presidente constitucional de Mato Grosso no período republicano, seria também ministro do Supremo Tribunal Federal.”


A finalidade da instituição bancária foi a aquisição da concessão para explorar os ervais do Sul do Estado, cedida por Tomaz Larangeira. O banco teve curta duração. Foi liquidado em 1902.



FONTE: Pedro Valle, A divisão de Mato Grosso, Royal Curt, Brasilia, 1996, página 18.



6 de dezembro


1926 – Coluna Prestes no Pantanal



A caminho do exílio na Bolívia, grupo da Coluna Prestes, comandado pelo capitão Siqueira Campos (o segundo à esquerda, sentado)), chega ao Pantanal da Nhecolândia, conforme suscinto relato de Augusto César Proença:

No Pantanal ela provocou medo e pânico. José de Barros registra no seu diário:

"Dezembro, 6-1926. Passagem dos revoltosos pela Fazenda Firme, onde destruíram o aparelho de estação telegráfica e saquearam as duas casas de negócio (sic). Grande pânico nas famílias da Nhecolândia por esse fato. (...)". Os ‘revortoso’ chegavam sempre atirando para cima, é verdade, pois não faziam nada a ninguém caso não pisassem nos seus calos, atiravam para intimidar as pessoas das fazendas e conseguir logo o que desejavam. Na fazenda Alegria deu-se um caso curioso: meu avô, homem aperreado das idéias, estava ali pelo pátio, fazendo alguma coisa, quando escutou tiros e viu o bando armado se aproximando.

- Sai daí seu Paulino, são os ‘revortoso’! Disse alguém correndo para dentro da casa.


Mas o velho, onde estava ficou. E até resolveu seguir para enfrentar os intrusos que ainda atiravam, provocando choradeira nas mulheres e nas crianças e correria em certos homens que se embrenhavam no mato mais próximo, xixindo de medo.


- Quem são vocês?... indagou o meu avô, ríspido, os olhos lacrimejando de raiva.


Os homens explicaram o que queriam, talvez imaginando fosse o meu avô algum variado que os enfrentava com ousadia. Perguntaram: "E o senhor que é?..."


- Sou o dono daqui. E parem de atirar. Não vê que estão assustando as mulheres e as crianças?


Naquele dia os revoltosos levaram os cavalos, mantimentos e dinheiro, mas não deixaram de respeitar o dono da fazenda.




FONTEAugusto César Proença, Pantanal: gente, tradição e história, Fundação de Cultura, Campo Grande, 1992, página 133.

FOTO - acervo da Biblioteca Nacional (RJ).



5 de dezembro]

5 de dezembro

1906 - Nasce em Corumbá, Geraldino Martins de Barros



Filho do farmacêutico da Marinha Artur Martins de Barros e da professora Maria Leite Pedroso de Barros, nasce Gealdino Martins de Barros, principal defensor da  existência de petróleo no Pantanal. 
Estudou da primeira à quinta série elementar no Colégio Salesiano Santa Teresa e o curso ginasial no Ginásio Corumbaense, fundado por sua mãe. Ainda muito jovem foi trabalhar na zona rural a princípio como professor e depois como trabalhador braçal.
Em 1928 muda-se para Porto Esperança, então terminal da estrada de ferro e trabalha como auxiliar de escritório da firma Couto e Cia, agente da Empresa de Navegação Miguéis.
Em 1929 retorna à cidade para atender ao serviço militar. Serviu no 17° Batalhão de Caçadores, permanecendo até o seguinte quando deu baixa e voltou a Porto Esperança, onde, em 1934, casou-se com Hilda Coelho.
Foi empresário do ramo gráfico e aposentou-se em 1980, como funcionário do antigo Previsul, o primeiro instituto de previdência de Mato Grosso do Sul.
Vereador por trinta anos seguidos, notabilizou-se na defesa da ideia da existência de petróleo na região, como líder da Campanha Pró-Petróleo do Pantanal, tese que levou a Petrobras a realizar várias prospecções em áreas determinadas, sem sucesso. 
Geraldino Martins de Barros faleceu em sua cidade natal em 1988.

FONTE: Renato Baez, Perfis e Missivas, edição do autor, São Paulo, 1985, página 28.



5 de dezembro

1936 – Governador recorre ao presidente da República



Acossado pela oposição, da qual participavam diversos deputados sulistas, no auge de uma crise política que resultaria na intervenção federal, decretada a 7 de março do ano seguinte, o governador Mário Correa da Costa telegrafa ao presidente Getúlio Vargas:


Quando daí regressei, animado dos elevados propósitos pacificadores, consubstanciado no meu Manifesto, do qual dei conhecimento a V. Exa., encontrei aqui um ambiente inteiramente hostil a qualquer entendimento político, devido à atuação pessoal do senador Vilasboas, cujas manobras impossibilitam a realização dos nossos objetivos.

Entretanto, agora rompendo contra meu governo, aproveita-se ele do irrequieto deputado Generoso Ponce, para unir-se ao grupo do capitão Filinto Muller, a quem sempre hostilizou rudemente, sob a alegação da necessidade de um congraçamento da família matogrossense, quando a verdadeira finalidade dessa aliança é o meu aniquilamento político e a instalação da anarquia no Estado.


Estou recebendo de todos os municípios as mais vibrantes demonstrações de apoio ao meu governo e veemente protesto contra essa atitude reprovável que tão graves conseqüências poderá trazer à vida administrativa do Estado.
Conforme mandei expor a V. Exa. pelo deputado Trigo de Loureiro, mantenho os meus anteriores propósitos de pacificação; mas jamais aceitarei imposições humilhantes e saberei defender, em qualquer terreno, as prerrogativas de minha autoridade constitucional”.


No mesmo dia, os deputados da Aliança Matogrossense, alegando falta de garantia, se asilaram no quartel do 16 BC, comparecendo às reuniões acompanhados por forças federais. Compunham a aliança, os deputados Nicolau Frageli, Ranulfo Correa, Ulisses Serra, Luiz de Miranda Horta, Joaquim Cesário da Silva, José Silvino da Costa, João Leite de Barros, Josino Viegas de Oliveira Pais, Filogônio de Paula Correa, José Gentil da Silva, Júlio Muller, Corsino Bouret, Caio Correa e João Ponce de Arruda.


Em 6 de março de 1937, o presidente Getúlio Vargas decretou intervenção federal no Estado e nomeou interventor o capitão Manoel Ari da Silva Pires, que permaneceu no governo até 4 de outubro desse ano, com a eleição pela Assembleia Legislativa e posse de Júlio Muller, para completar o mandato. 


FONTERubens de Mendonça, História do Poder Legislativo de Mato Grosso, Assembléia Legislativa, Cuiabá, 1967, páginas 237 e 281.

FOTO: Arquivo Público do Estado de Mato Grosso.


5 de dezembro

1936 - Petróleo no Pantanal: Monteiro Lobato lança manifesto de subscrição pública

         
Mapa mostrando a proximidade e a posição de latitude entre os campos                de 
petróleo em exploração na Bolívia e as terras em que a Cia.        
         Matogrossense vai operar.

A Companhia Matogrossense de Petróleo, à frente o advogado, escritor e editor Monteiro Lobato, expede manifesto, visando subscrição de integralização do capital da empresa. Sobre a companhia, o manifesto revela que o seu capital será de vinte mil contos, dividido em 200.000 ações de 100 mil réis, "metade representada pelos direitos e contratos de pesquisa e exploração do sub-solo de Mato Grosso; e outra metade tomada por subscrição pública. As ações são pagáveis em duas prestações, uma de 50% no ato da subscrição e outra metade de igual valor, mediante chamada com prévio aviso de 60 dias".

CONTRATOS - Para exploração dos subsolo em Mato Grosso, foram lavrados com os seguintes proprietários: municipio de Aquidauana: Antonio da Costa Rondon (Fazenda Tupanceretã), Clotilde Rondon de Arruda e Bartolomeu Mendes (Fazenda São Sebastião); Luiz da Costa Rondon (Fazenda Rio Negro); Ana da Costa Rondon (Fazenda Barranco Alto); José Sebastião de Souza Camargo (Fazenda Santa Terezinha), José Alves Ribeiro Filho e Joaquim Alves Ribeiro (Fazenda Taboco). Município de Porto Murtinho: Eliza Alves Arruda (Fazenda Amoquijá); Clotilde Alves de Albuquerque e Maria Margarida Alves Arruda (Fazenda Mauá); Joaquim Nunes Ferraz, Diogo Nunes Ferraz e Cecílio Mascarenhas (Fazenda Emadicá); Estevão Alves Ribeiro (Fazenda Esperança); João Alves Ribeiro (Fazenda São José); Oscar Augusto Granja (Fazenda Saudade); Germano Lariau (Fazenda Santa Cecília); e Hermínio Grosso. Município de Bela Vista: Atanásio Mello (Fazenda Santo Amaro).

Mesmo ainda não tendo nenhuma evidência técnica, comprovando a existência de petróleo na região, o manifesto argumenta:

"Ninguém mais duvida do petróleo em numerosas zonas do nosso país. Uma há, entretanto, que forçosamente vai ser a nossa grande revelação em matéria de riqueza petrolífera: Mato Grosso.

Esse imenso estado emoldura com suas florestas metade do Xaraés, mar extinto que se revela na extensíssima depressão sul-americana, denominada Chaco nas repúblicas vizinhas e Pantanal entre nós. Compreendida entre o levantamento da cordilheira dos Andes e o planalto central do Brasil, a depressão do Xaraés mostra por toda a parte os mais flagrantes indícios de sua origem. Lagoas e pântanos de água salgada se sucedem de maneira impressionadora. Grande abundância de calcários e fósseis de base marinha. Também frequentes assinalamentos de óleo, como exsudações, impregnações bituminosas, emanação de metana e outros.

Na parte pertencente às repúblicas vizinhas, o petróleo já foi revelado, dando surto a inúmeras perfurações de alta produção. Na parte que nos pertence, nada, absolutamente nada foi feito. Uma espessa cortina de fumaça nos vinha conservando alheios a qualquer investigação de petróleo, justamente na zona mais promissora e abundante de sinais. Chegamos ao ponto de admitir este absurdo: que a linha das fronteiras, isto é, uma simples convenção política, interrompesse dentro da terra as formações de petróleo já reveladas e intensamente exploradas nos países vizinhos. Embora a geologia fosse absolutamente a mesma, petróleo só do lado que fala espanhol"...

OS INCORPORADORES - Entre os incorporadores da companhia, além de Monteiro Lobato, aparecem dois fazendeiros de Aquidauana: Antonio da Costa Rondon e Manuel Alves de Arruda. São representantes autorizados: João Alfredo de Oliveira (Cuiabá); Clodoveu Gomes Ribeiro (Bela Vista); Anchises Boaventura (Campo Grande); Theophilo Xavier de Mendonça (Jau); Joaquim Pedro Kiel (Piraju) e Francisco Dias Lacerda (Ribeirão Preto).

FONTE: Correio Paulistano, 08/12/1936.

5 de dezembro

1947 - Adolescente devorado por piranhas

Aparece nos principais jornais do país, a notícia da morte em Corumbá de um adolescente, que caiu no rio Paraguai e teve o corpo devorado pelas piranhas:

"Em Corumbá, quando pescava à beira do rio, numa barranca que fica no lugar denominado Praia Vermelha, nesse porto, caiu à água o menor Karli, de 16 anos, aluno do Ginásio Maria Leite. Nem bem tocou a correnteza do rio, o corpo do infeliz foi logo abocanhado pelas vorazes piranhas, que aos milhões se encontram nas margens do Paraguai, ao cair da noite, à procura de comida, sendo ato contínuo levado para o fundo do rio. Uma hora depois, acudindo os parentes de Karli, que reside em companhia de seu tio, o negociante José Cury, o corpo apareceu completamente desprovido das carnes, sendo nesse estado, posto num caixão e dado à sepultura no cemitério local, na manhã seguinte. Os pais do menor Karli, que no ginásio sempre se destacou como o melhor aluno da série, residem em Minas Gerais, para onde, daqui a dia dias, devia
ele viajar em gozo de férias".

FONTE: Jornal de Notícias (SP), 05/12/1947 






 


4 de dezembro

4 de dezembro

1866 – Taunay dá novas notícias de Miranda



Ainda sem saber que destino vai tomar a força expedicionária, acampada em Miranda, o tenente Taunay volta a escrever ao seu pai no Rio de Janeiro:

Aqui estamos desde 17 de setembro esperando notícias de Cuiabá para saber se devemos marchar sobre Corumbá ou sobre Nioaque. Este último lugar que os paraguaios ocuparam durante mais de um ano é o lugar mais salubre de toda a província e caminho que lá vai ter o melhor possível; diz-se também que em Corumbá não há mais que 200 homens em más condições; os outros tendo sido chamados por Lopez, mas também a travessia é muito difícil e as águas vão subir tanto que os terrenos pantanosos ribeirinhos do Paraguai já devem estar todos inundados. Falta-nos aliás, e completamente, o meio mais cômodo descermos o Miranda e subirmos o Paraguai. Outra dificuldade se apresenta: nada menos nada mais do que a presença de dois vapores paraguaios a cruzarem continuamente entre Corumbá e Coimbra.


Acabei o relatório geral da comissão e como já estou cansado de trabalhar para outrem, embora se trate de coisa pouco meritória, escrevo agora um novo trabalho que toma certo desenvolvimento e poderá ter algum interesse. É a viagem que fiz com Lago, até Morros com um resumo geral do aspecto fitológico e mineralógico dos terrenos atravessados. Tomo sempre a peito ser consciencioso em tudo quanto digo; só citando o que vi e preferindo ou pouco de monotonia e mesmo aridez nas descrições a embelezar o meu relato de episódios só pelo prazer de agradar a desocupados.


FONTETaunay, Mensário do Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 1943, página 345.


4 de novembro

1940 - Desaparece avião com comissão de delegados da ferrovia Bolívia-Brasil

Desapareceu quando fazia um voo entre Baboré, na Bolívia e Corumbá, o trimotor Juan Del Valle, do Lloyd Brasileiro. As primeiras notícias foram dadas pelo tenente Cerqueira Rodrigues, chefe do tráfego da Aeronáutica Civil, segundo noticiou o jornal Correio Paulistano, em sua edição de 12 de novembro:

"O avião, ao realizar a última etapa entre Baboré, na Bolívia e Corumbá, perdeu-se por falta de visibilidade, ao cair da noite, mantendo-se ainda até às 20 horas, daquele dia em contato com Corumbá, pelo rádio.

Aviões da Condor e do nossos Exército, bem como do Exército boliviano têm realizado continuadas pesquisas sobre a região na parte boliviana e brasileira, que é toda ela pantanosa.

Como até o presente não fosse encontrado o avião, que tem a bordo nove pessoas, o coronel Samuel Ribeiro, em combinação com o general Isauro Regueira, diretor da Aeronáutica Militar, providenciou para a ida de mais três aviões Vultee de grande raio de ação, com os quais se espera chegar a resultados positivos no mais curto espaço de tempo".

O avião conduzia, na verdade, conduzia 17 passageiros, "entre os quais, uma comissão de delegados do Comitê Boliviano-Brasileiro da construção da estrada de ferro internacional e o engenheiro José Donabella Portela".

Os destroços seriam localizados somente em 5 de dezembro de 1942, "por um caçador boliviano, a 40 quilômetros de Porto Suarez, próximo da lagoa Lagaiba, na fronteira do Brasil com a Bolívia".

Segundo a mesma fonte, "foram encontrados vários esqueletos perto do aparelho e no seu bojo, em bom estado de conservação, os valores conduzidos pelos 17 passageiros, inclusive 2.800:000$000".


FONTE: Correio Paulistano, 08/01/1942


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

3 de dezembro

3 de dezembro

1826 – Langsdorff alcança o rio Taquari


Última cachoeira do agitado rio Coxim antes de sua chegada ao Taquari


Expedição científica, comandada pelo visconde de Langsdorff, patrocinada pelo governo russo, com destino a Cuiabá e a Amazônia, completa seu trajeto pelo agitado rio Coxim:


Logo depois de levantar o pouso, passamos à esquerda pela embocadura do rio Taquari-mirim e pouco adiante entramos no Taquari que aí tem 200 braças de largura. A maior parte do dia foi consumido em vencer a cachoeira Beliago, cuja extensão de meio quarto de légua é semeada de ilhas e rochas à flor ou acima d’água, que, se não produzem quedas, originam fortes correntezas e ondas agitadas, cuja violência as canoas vazias têm que suportar.


Agarramos uma arraia.


Pelas 2 horas da tarde, seguimos viagem, passando ainda por entre diversas ilhas. Ao pôr do sol, os camaradas, para festejarem a transposição da cachoeira Beliago, última até Cuiabá, deram descargas de fuzilaria, gritaram a valer e cantaram até alta noite. Daí por diante, com efeito, a navegação faz-se em rios de curso tranqüilo, sem perigos de corredeiras nem obstáculos que obriguem a descarregar as canoas e por conseguinte a transportar cargas às costas por distâncias não pequenas. Aí, pois, findam os labores mais penosos.



FONTE: Hercules Florence, Viagem Fluvial do Tietê ao Amazônia, de 1825 a 1829, Edições Melhoramentos, São Paulo, 1941, página  57

02 de dezembro

2 de dezembro
 
1939 – Morre em Cáceres, ex-governador Costa Marques




Aos 77 anos, falece em Cáceres, o advogado Joaquim Augusto da Costa Marques, natural de Poconé. Político, sucedeu a Pedro Celestino no governo de Mato Grosso (1911/1915). Foi o primeiro mandatário estadual a visitar o Sul do Estado, num circuito pelas cidades de Miranda, Nioaque, Porto Murtinho e Aquidauana, encerrando sua viagem em Campo Grande, em 1912, sendo homenageado pela Câmara Municipal, que deu o seu nome à principal praça da vila, atual dos Imigrantes, no final da rua 26 de Agosto.


FONTE:Nilo Povoas, Galeria dos Varões Ilustres de Mato Grosso Vol. II, Fundação Cultural de Mato Grosso, Cuiabá, 1978, página 95.


2 de dezembro

1945 - General Dutra elege-se presidente da República

Em pleito realizado nesta data elege-se o general Eurico Gaspar Dutra, natural de Cuiabá, presidente da República para um mandato de cinco anos. É primeira eleição direta depois da ditadura Vargas. Candidato do PSD, com apoio de Getúlio, Dutra, com 3.251.507 votos atingiu 55,39% dos votos válidos. Seu principal concorrente foi o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN), com 34,74% dos sufrágios.

Sua posse deu-se no dia 31 de janeiro de 1946, transmitida pelo ministro José Linhares, presidente do STF, que ocupava interinamente a chefia do governo, desde a deposição de Getúlio Vargas.

FONTE: Mauro Renault Leite e Novelli Júnior, Marechal Eurico Gaspar Dutra: o dever da verdade, Editora Nova Fronteira, Rio, 1983, página 752. 


2 de dezembro

1945 – Eleições para presidente e constituintes

Vespasiano Barbosa Martins, o senador do Sul de Mato Grosso

Com a volta do país à democracia, realizam-se as primeiras eleições livres para escolha do presidente da República e dos congressistas para a Assembléia Nacional Constituinte. São eleitos para Presidente da República o general Eurico Gaspar Dutra; para o Senado, Vespasiano Barbosa Martins, da UDN e Filinto Muller, do PSD; deputados federais: João Ponce de Arruda, Argemiro Fialho e Gabriel Martiniano de Araújo, do PSD; e Dolor Ferreira de Andrade e Agrícola Paes de Barros, da UDN. Favorecido por recurso judicial, João Vilasboas, candidato da UDN terminou tomando a vaga do pessedista Filinto Muller. 

Vespasiano já havia exercido o Senado, de 1935 até o golpe do Estado Novo de 1937.


FONTE:  Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses(2ª edição) Governo de Mato Grosso, Cuiabá, 1973, página 291.

01 de dezembro

1º de dezembro



01 de dezembro

1928 – Iniciado o asfaltamento da rua 14 de Julho em Campo Grande



Projetado desde 1927, na gestão do intendente Jonas Correa da Costa, é, finalmente iniciado a pavimentação da principal rua de Campo Grande, a 14 de Julho, conforme relato de Paulo Coelho Machado:

Com a presença do intendente Manoel Joaquim de Moraes, do engenheiro Sinésio Guimarães, representante da empreiteira e de convidados, foi iniciado o serviço no dia 1º de dezembro de 1928.


Satisfeito, diz o intendente que ‘com a execução deste extraordinário melhoramento, que há longo tempo constituía uma das mais acariciadas aspirações do nosso povo, remove o último obstáculo que ainda entrava a marcha brilhante do seu desenvolvimento.


Centro de uma atividade de trabalho intensa, procurada por forasteiros de todas as partes, a nossa cidade oferecia-nos um aspecto desolador pelo estado lastimável de suas ruas. Com as obras de calçamento, a se concluírem dentro de 3 anos, podemos falar com o mais justificado otimismo que o impulso que receberá o município será verdadeiramente surpreendente.’


Com a ascensão de Antero Paes de Barros à prefeitura, em janeiro de 1930, as obras se interromperam. No entanto, a memória quase geral é de que foi ele o iniciador do calçamento. Mais tarde os serviços foram retomados, a cargo do engenheiro Inácio Franco Camargo, genro de Olivério da Luz e que foi prefeito de Campo Grande de abril a dezembro de 1929. Em 1931 estava pronto, para regozijo de toda a população.


A obra foi realizada pela empresa Firmo Dutra & Cia. Ltda. e de acordo com o contrato "o calçamento deveria ter duas camadas de pedra britada lançadas sobre uma caixa de 20 cent. de profundidade e aberta entre os meios-fios da rua, deixando livres pelo menos 15 cent. dos mesmos meios-fios. A primeira camada de pedra britada terá 18 cent. de espessura e as pedras 8 cent. de diâmetro; a segunda camada terá a espessura de 10 cent. e o diâmetro das pedras será de 3 a 4 centímetros. Essas espessuras serão antes da compressão por meio de rolo compressor de 10 a 12 toneladas de peso. Sobre estas duas camadas depois de inteiramente comprimidas e regularizadas será espalhada uma primeira rega de asfalto à razão de 5 litros por m². Este asfalto é empregado a quente numa temperatura de 160 a 170 graus centígrados. Imediatamente após a rega acima, espalha-se uma camada de cascalhinho de 2 cent. de espessura."


FONTE: Paulo Coelho Machado, A rua principal, Tribunal de Justiça, Campo Grande, 1991, página 20.
FOTO: Acervo do Arca, Arquivo Público de Campo Grande.


1° de dezembro

1938 - Nasce em Uberaba (MG), Marcelo Miranda Soares
Filho de José Severino Neto e Diva Miranda Soares, nasce em Uberaba, Marcelo Miranda Soares. Estudou o primário e o secundário em sua cidade natal, formando-se em engenharia civil, pela Faculdade de Engenharia do Triângulo Mineiro em 1964, ano em que se mudou para o estado de Mato Grosso. Iniciou a vida pública no Estado, como presidente da Cemat, Centrais Elétricas de Mato Grosso (1970), passando em seguida à direção do Dermat, Departamento de Estradas de Rodagem de Mato Grosso (1971), no governo de Pedro Pedrossian. Em 1976 elege-se prefeito de Campo Grande, sucedendo a Levy Dias. Em 1979 deixa a prefeitura e é nomeado governador de Mato Grosso do Sul, em substituição a Harry Amorim Costa. Em 1982 é eleito senador e em 1986, vence a eleição para o governo do Estado, o qual governou até 1990, sendo sucedido por Pedro Pedrossian. Seu último cargo público foi o de superintendente regional do DNIT em Mato Grosso do Sul.

FONTE: Entrevista de Marcelo Miranda Soares ao autor.

OBISPO MAIS FAMOSO DE MATO GROSSO

  22 de janeiro 1918 – Dom Aquino assume o governo do Estado Consequência de amplo acordo entre situação e oposição, depois da Caetanada, qu...