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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

25 de abril

25 de abril

1866 – Tropas brasileiras deixam Coxim



Tropas brasileiras com destino a Laguna. Tela de De Santa Helena



Devidamente abastecidas as forças brasileiras iniciam a locomoção para a fronteira. Deixa Coxim a primeira brigada, segundo Taunay, composta do 17º batalhão de Voluntários da Pátria,que se formara em Ouro Preto, todo ele de mineiros e do corpo de Artilharia do Amazonas, escasso, composto de caboclos do extremo norte, que mal chegavam então talvez a uma centena de praças e do 21 de infantaria de linha.
 
"Obtidos esses meios que permitiam tomar enfim com mais acerto uma deliberação para a marcha em direção ao sul, e apesar de ser ela arriscada, a 25 de abril em conseqüência da resolução, cujas causas nos não compete averiguar, pôs-se em mvimento a 1ª. Brigada, tendo à sua frente o coronel comandante das forças, ficando, com exceção das repartições fiscal e caixa militar, no Coxim as outras repartições anexas e que deviam acompanhar a 2ª. Brigada, a qual, com certo intervalo de tempo, havia de marchar a reunir-se ao grosso da coluna".

 


FONTE: Taunay, Em Mato Grosso invadido, Edições Melhoramentos, São Paulo, 1942. Páginas 5 e 57.


25 de abril
 
1894 – Fuzilado o marechal barão de Batovi, ex-governador de Mato Grosso







É executado, o marechal-de-campo Manuel de Almeida da Gama Lobo Coelho d'Eça, o barão de Batovi. Presidente da província de Mato Grosso, em 1879, depois de destacar-se como herói da guerra do Paraguai, envolveu-se na revolução federalista, em seu Estado, o Rio Grande do Sul, onde caiu prisioneiro das forças federais e foi fuzilado.¹

Sobre o barão e sua execução sumária, a imprensa carioca destacou:

"Manoel de Almeida da Gama Lobo d'Eça, barão de Batovi, marechal e segundo na ordem hierárquica, de 65 anos, casado, oficial de artilharia: por sua bravura representou saliente papel na guerra do Paraguai na qual serviu de princípio a fim, comandando um regimento de cavalaria montada.

Foi presidente e comandante das armas da antiga província, hoje estado de Mato Grosso, e depois da proclamação da república exerceu por algum tempo o cargo de comandante do distrito militar do Rio Grande do Sul.

Em fevereiro de 1892 retirou-se para Santa Catarina, sua terra natal, onde se conservou em disponibilidade.

Em julho de 1893 foi chamado ao Rio de Janeiro pelo marechal Floriano, quando este pretendia depor o governo legal de Santa Catarina: sufocada a perturbação desse Estado, permitiu que o marechal Gama voltasse ao Desterro.

Ali encontrou a esquadra revolucionária, quando esta se apossou daquela cidade.

Era comandante da praça o coronel Julião Augusto da Serra Martins; para resolver a entrega convidara todos os oficiais ativos para as conferências que precederam à capitulação.

O marechal Gama foi o primeiro a subscrever o ato de rendição. 

Talvez tenha sido este o seu crime, porque nunca serviu à revolução, nem tampouco tomou parte ativa na política local.

Foi preso à meia noite do dia 21 de abril por uma escolta de alunos e apresentado no palácio do governador interino, coronel Antonio Moreira César: este desconheceu a sua qualidade de marechal do exército, denominando-o  - marechal de Gumersindo.

Esteve quatro dias preso no quartel do 25° de infantaria, em lugar imundo, e levado à fortaleza de Santa Cruz foi ali fuzilado no dia 25, a 1 hora da tarde.

O marechal protestou contra o assassinato que se ia praticar, apelando para um conselho de guerra, perante o qual se justificaria plenamente.

Pediu que deixassem vestir seu uniforme, no que não foi atendido.

Então, desabotoando o casaco e pondo a mão sobre o coração, pediu a escolta que sobre ele fizesse pontaria".²
       

FONTE: ¹Virgílio Correa Filho, História de Mato Grosso, Fundação Júlio Campos, Varzea Grande, 1994, páginas 555 e 573. ²Jornal O Apóstolo (RJ), 11 de dezembro de 1894.


25 de abril

1957 - Inaugurada fábrica de cimento em Corumbá



Governador João Ponce, presidente JK e Jorge Oliva, presidente da empresa


O presidente Juscelino Kubitschek foi o principal convidado da direção da fábrica de cimento de Corumbá ao ato de inauguração da empresa em Corumbá. O evento histórico foi alvo de reportagem da revista Brasil-Oeste:


No avião "Viscount", recentemente adquirido para as viagens presidenciais, o presidente Juscelino Kubitscheck seguiu na manhã de 25 de abril p.p. para a cidade de Campo Grande, de onde se transferiu para um "Douglas" que o conduziu a Corumbá. O chefe do Governo fez essa viagem para inaugurar a fábrica da Companhia de Cimento Portland Corumbá, na cidade do mesmo nome, e visitar a Base Naval de Ladário. Antes de regressar ao Rio de Janeiro, o presidente da República esteve em Belo Horizonte, onde pernoitou, para no dia seguinte proceder à inauguração de um cabo aéreo de 40 quilômetros, que transportará calcário da mina à fábrica de cimento em Minas, do mesmo grupo da "Corumbá".


O presidente Kubitschek chegou a Corumbá às 13h15 procedente de Campo Grande. Durante sua permanência em Campo Grande e em Corumbá o sr. Kubitscheck foi alvo de homenagens por parte do povo das duas cidades, bem como da oficialidade da 9a. RM, da Base Aérea e da Base Naval de Ladário, onde sua presença foi saudada por uma salva de 21 tiros. A todas essas homenagens estiveram presentes o governador do Estado de Mato Grosso, sr. João Ponce de Arruda, o general Arthur Hesket Hall, o almirante Muniz Freire, o bispo de Corumbá, autoridades civis e militares.


A comissão presidencial estava constituida pelo ministro da Viação e Obras Públicas, comandante Lúcio Meira; general Nelson de Melo, chefe da Casa Militar da Presidência da República; senador Filinto Müller (MT), líder do PSD na Câmara Alta; deputados federais Filadelfo Garcia (PSD-MT), Mendes Gonçalves (PSD-MT), Wilson Fadul (PTB-MT), Geraldo Starling Soares (PSD-MG), Guilherme de Oliveira (PSD-MG) e Benjamin Farah (PSD-DF). Faziam parte da comissão, também, os srs. Jorge Oliva, Olavo Guimarães Filho e Dirceu Sousa Coelho, diretores da Companhia Cimento Portland Corumbá.


No discurso que proferiu ao inaugurar a fábrica de cimento, em Corumbá, o presidente da República declarou: "Criando este centro de produção, que vai melhorar também as condições de vida da Bolívia e do Paraguai quero afirmar que os acordos comerciais que o governo vem fazendo com esses dois países visam apenas a dar ao continente  uma estrutura firme e sólida". Acentuou em seguida, que esse emprenho do Brasil está voltado também para o interesse de manter ligadas todas as nações americanas em torno do objetivo comum de luta pela defesa de uma filosofia que a todos pertence e que é a filosofia cristã.

FONTE: Revista Brasil-Oeste (SP), n° 10, fevereiro de 1957.




25 de abril


1984 – Cai a emenda das Diretas Já!






Derrotada na Câmara dos Deputados a emenda do deputado Dante do Oliveira (PMDB/MT) que restabelecia as eleição direta para presidente da República. Da bancada de Mato Grosso votaram a favor os deputados Dante de Oliveira, Gilson de Barros, Márcio Lacerda e Milton Figueiredo (PMDB) e votaram contra os deputados Bento Porto, Ladislau Cristino Cortes e Maçao Tadano (PDS) e de Mato Grosso do Sul votaram a favor os deputados: Albino Coimbra (PDS), Harry Amorim Costa, Plínio Barbosa Martins, Ruben Figueiró (PMDB), Saulo Queiroz (PDS) e Sergio Cruz (PMDB). Votou contra o deputado Ubaldo Barém e não compareceu para votar, Levy Dias, ambos do PDS.,



FONTE: Congresso Nacional.

sexta-feira, 4 de março de 2011

25 de julho


25 de julho


1883 – Mate Larangeira instala-se oficialmente no Estado



Thomaz Larangeira, à esquerda



Autorizado pelo decreto imperial 8.799, de 9 de dezembro de 1882, a explorar os ervais no Sul de Mato Grosso, Thomaz Larangeira estabelece o primeiro arranchamento de sua companhia à margem direita do rio Verde, "e que oficialmente marca o início dos trabalhos da empresa, à qual já se haviam associado os irmãos Murtinho, matogrossenses de destaque no cenário político da corte".

A exploração da erva mate na região, em verdade, começou bem antes da autorização formal. Terminados os trabalhos de demarcação das fronteiras Brasil-Paraguai em 1874, Thomaz Lanrangeira, que participou dos trabalhos como fornecedor da comissão de limites, começou a trabalhar na elaboração da erva mate, para o que foi ao Rio Grande do Sul, de lá trazendo os auxiliares de que necessitava para organização dos trabalhos.

"De início - informa Pedro Ângelo da Rosa - o sr. João Lima passou a gerenciar e organizar a empresa; Antonio Inácio da Trindade e Francisco Xavier Pedroso eram incumbidos da compra de gado, e Gabriel Machado encarregado da fazenda Santa Virgínia, que foi fundada para abastecer de gado os 'ranchos' ervateiros, onde começavam a chegar os piões trazidos de Conceição, Paraguai por João Lima.

O depósito central e a administração da empresa ficaram estabelecidos em Capivari, na boca da picada do Chiriguelo, no Paraguai e por onde era o produto conduzido em carretas para Conceição a fim de ser embarcado por via fluvial para a Argentina. Algumas remessas entravam também pelas picadas de Nhuverá e Ipehum".



FONTE: Pedro Ângelo da Rosa, Resenha Histórica de Mato Grosso (Fronteira com o Paraguai), Livraria Ruy Barbosa, Campo Grande, 1962, página 25.

FOTO: Luiz Alfredo Marques Magalhães, Retratos de uma época, 2a. edição, edição do autor, Ponta Porã, 2013, página 46. 


25 de julho

1921- Peste bovina: exportações liberadas

Proibidas desde abril, em virtude de surto de surto da febre bovina (rinderpest) em rebanhos de São Paulo, é reaberta a exportação interestadual e internacional de animais e carne bovina, segundo comunicação do Serviço de Indústria Pastoril no Estado de Mato Grosso, em Aquidauana:

"Levo ao vosso conhecimento que, por portaria de 25 de julho do sr. Ministro da Agricultura, foi revogada a de 7 de abril do ano corrente, em virtude da qual foi proibida a exportação interestadual e internacional de animais e produtos de origem animal do Estado de São Paulo, sendo também suspensa a proibição da exportação de animais dos estados do Paraná, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro para o estado de São Paulo. Além destas medidas, foram suspensas outras, aplicadas por esta Diretoria Geral, ao combate à peste bovina, entre as quais a que proibia o trânsito de animais e seus produtos através do território do estado de São Paulo, sendo unicamente conservados interditos por espaço de 6 meses todas as propriedades, postos e estábulos onde foram verificados casos da doença, sendo proibido por 3 meses a entrada de animais na zona outrora infectada do mesmo estado, constituída pelo municípios da capital, Santo Amaro, São Roque, Cotia. Itu, Sorocaba Araçariguama. Saudações Alcides Miranda, Diretor Geral".

FONTE: Tribuna (Corumbá) 06/08/1921


25 de julho

2001 - Morre no Rio, Carmen Portinho


                               Carmen Portinho à direita, com Bertha Lutz à esquerda e lady Seeds, 
                                      embaixatriz da Inglaterra no Brasil.
                               

Falece no Rio de Janeiro, a líder feminista Carmen Velasco Portinho. 
Nascida em Corumbá,  em 26 de janeiro de 1903, filha da boliviana, Maria Velasco, e do gaúcho, Francisco Sertório Portinho, ainda na infância, mudou-se com os pais e os outros nove irmãos para o Rio de Janeiro.

Em 1919 organizou, com Bertha Lutz, o movimento pelo voto feminino, colaborou na fundação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, como tesoureira e 1º vice-presidente. Na defesa do direito das mulheres ao voto, Carmen e outras companheiras chegaram a sobrevoar o Rio de Janeiro, na década de 1920, lançando panfletos em defesa do sufrágio feminino.

Carmen aconselhava às mulheres que não mudassem o nome ao se casar, em atitude de independência e resistência.

Desde 1925, ainda no último ano do curso de engenharia, começou a dar aulas no Colégio Pedro II. O fato de uma mulher ministrar aulas num internato masculino foi considerado um escândalo. O ministro da Justiça quis interferir em sua nomeação para o colégio, mas não conseguiu afasta-la. Na época, seu pai havia falecido. Ela então, montou uma lojinha para que suas irmãs pudessem trabalhar com datilografia. Ela dizia que a emancipação econômica da mulher é a base da sua emancipação social e política.

Em 1926, formou-se na engenharia civil, pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil. Foi a terceira mulher a se formar engenheira no país. No mesmo ano, ingressou na prefeitura do Distrito Federal, na diretoria de Obras e Viação.

Sempre ativa no movimento feminista, em 1930, ela criou a União Universitária Feminina. Em 1936, ingressou na Universidade do Distrito Federal no curso de urbanismo, de pós-graduação.

Fundou em 1937, a Assosiação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA), visando impulsionar mulheres formandas a ingressar no mercado de trabalho.

Em 1939, obteve o titulo de urbanismo na Universidade Distrito Federal, defendendo a tese “A Construção da Nova Capital do Brasil no Planalto Central”. Foi a primeira mulher no Brasil a obter o título de urbanista. Após a formação, recebeu uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar junto às comissões de reconstrução e remodelação das cidades inglesas destruídas pela guerra. A viagem durou 24 dias de navio.


Representou o Brasil no Congresso Feminino Pró-Paz, realizado em 1950, na França.

Em 1952, assumiu a diretoria executiva adjunta do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, instalado provisoriamente no do Edifício do MEC. Permaneceu no cargo por mais de 15 anos.

Em 1954, chefiou as obras de engenharia civil da construção da nova sede do MAM, no aterro da Gloria.

Carmen foi uma das responsáveis pela introdução do conceito de habitação popular no Brasil, propôs ao prefeito, a criação de um Departamento de Habitação Popular, sendo nomeada diretora. Nele, ela construiu, na década de 50, o conjunto residencial Pedregulho, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro. Affonso Eduardo Reidy, seu companheiro, é o arquiteto autor do projeto.

Em 1966, foi convidada pelo então governador Negrão de Lima, para ser diretora da Escola Superior de Desenho Industrial – Esdi – a primeira escola de desenho industrial da América Latina. Por duas décadas, Carmen Portinho dirigiu a escola. Posteriormente, a Esdi foi incorporada à Universidade Estadual do Rio de Janeiro, onde trabalhou até aos 96 anos.

Ao longo de sua vida, recebeu inúmeras medalhas, títulos, homenagens e convites. Participou como jurada nacional de diversas bienais nacionais (SP – Brasil) e internacionais, de salões nacionais de artes plásticas, ministrou palestras, organizou exposições de artes plásticas, arquitetura e design. 

Viajou a convite de diversos países e continentes (Israel, China, Japão, Europa, Escandinávia, América Latina, Rússia, Estados Unidos da América, Índia, entre outros).


FONTE: Blog As mina na história (https://goo.gl/ZFdDn6)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

24 de abril

24 de abril

1865 – Paraguaios invadem Coxim



A vila de Coxim no tempo da guerra em desenho de Taunay



No seu apogeu, como entreposto do comércio com os goianos, Coxim interrompe abruptamente seu ciclo de crescimento econômico, com a invasão de Mato Grosso, em 1865 pelo exército do general Solano Lopez. A cidade foi ocupada por cerca de um ano por forças inimigas, que abandonaram a vila em 1866 com a aproximação da coluna de São Paulo, Minas e Goiás.

Conta Ronan Garcia da Silveira que “no momento em que aconteceu aquela invasão, provocando o pânico, ocorreram fugas de moradores, diante da presença dos paraguaios que, ao dominarem a região, estabeleceram o seu quartel general no lugar denominado fazenda São Pedro.


Relata a literatura referente ao episódio, que a notícia da invasão foi levada a Cuiabá pelo cidadão Antonio Theodoro de Carvalho, morador na região, que chegou à capital da província no dia 8 de maio de 1866, ou seja, treze meses após a invasão".¹


Sobre a localidade depõe Taunay, que por lá passou em 1865, como membro da comissão de engenheiros da força expedicionária brasileira que se dirigia à fronteira fez o seguinte depoimento:

"Antes da guerra este lugar, colonizado por gente de Mato Grosso, foi-se desenvolvendo com alguma lentidão. Entretanto nas vizinhanças estabeleceram-se vários mineiros que cultivavam com bom resultado as suas terras. Entre esses citaremos o Sr. João Theodoro de Carvalho. As poucas casas da colônia foram queimadas pelos paraguaios que chegaram ali no mês de abril de 1865 e não puderam ir além se não umas sete léguas, porque a cavalhada ia-lhes morrendo toda. Depois estabeleceu-se a nossa expedição e dela ficaram não só ranchos, como até algumas moradas boas e um grande depósito. Gente  afluiu para aí e constituiu então uma espécie de povoação".

O autor de Retirada da Leguna informa ainda que em toda a linha onde fora levantado o acampamento militar "está compreendido o lugar chamado Coxim e que fora destinado pelo governo imperial para o estabelecimento da colônia militar de Taquari ou Beliago".²

Sobre a invasão a Coxim, El Semanário, orgão da imprensa oficial do governo paraguaio, em sua edição de 3 de junho de 1865, dá a seguinte notícia:

"Nuestras fuerzas del Norte siguen en buen estado, y son señores de la frontera de Alto Paraguay, y sus afluentes,así como de todos los pontos tomados al enemigo que conoce el público.

De nuevo tenemos que dar cuenta de que nuestros soldados van poco a poco ganando terreno en Matto Grosso.

Una partida que despachó em Sor, Coronel Resquin al mando del capitan Ciudadano Juan Batista Agüero llegó el 24 de Abril a la colônia de Coxim a la derecha del Rio Taquari, despues de una marcha de mas de 70 leguas en la mayor parte por pantanales y cordilleras.

Tuvieron que atravezar a pié 22 léguas de esteros que hay desde el Rio Negro hasta cerca del arroyo Piuba.

La colonia se encontró desocupada de guarnicion: sus habitantes la habian abandonado como seis a ocho dias antes, a escepcion de 4 indivíduos que huyeron a la vista de nuestras tropas.

Los papeles tomados hemos publicado em el último número del Semanário: de mas se ve claramente que el Gobierno brasileiro tomaba sumo interes de reducir a los índios de la tribu de Caiapó, indígenas de las vertientes de los rios Coxim y Tacuari para aumentar con ellos las poblaciones, segun han hecho por nuestros mismos indigenas de Terecañi (Villa de Ygatimi), a quienes atrayendo en sus promesas les hizo poblar el Carguataticora a la derecha de la desembocadura de nuestro rio Ybeneima, o Ygurei el el Paraná, locual consta de declaraciones de indios tomados en el Brilante". 

Da invasão da vila, documento raro, carta publicada por um jornal carioca, de um comerciante que conseguiu escapar, deixando tudo para trás, inclusive a roupa do corpo:

A 24 de abril do corrente ano, pelas 6 horas da manhã, ao erguer-me do leito e abrir a porta de minha casa de negócio, que se acha situada na barranca do rio Taquari, à margem direita, (em o núcleo colonial de Coxim), avistei na margem oposta grande número de soldados paraguaios, e que gritavam-me lhes levasse uma canoa; à minha relutância sucedeu atirarem-se ao rio uma porção de lanceiros a cavalo, e após um chuveiro de balas foram arremessadas sucessivamente sobre minha morada, que me obrigaram a correr com o único fato com que me tinha erguido da cama, sem ter tempo tomar nem ao menos o chapéu, deixando em poder desses inimigos desleais minha casa de negócio que possuia, além de um bom fundo de negócio de ferragens, louça, molhados,  alqueires de sal, perto de quarenta arrobas de café e muitos gêneros alimentícios; ficou em duas canastras 4:000$ em dinheiro, sendo 3:200$ em notas e 800$ em prata; mais 60$ na gaveta da mesa em que eu escrevia. Várias letras de não pouca importância, borradores onde se achavam bem avultadas somas, uma igarité nova na importância de 2:000$, trinta e tantas rezes, etc.

Assim eu que já possuia alguns meios com que manter-me com alguma decência, anoiteci o dia 24 de abril pedindo por esmola uma calça para vestir e um chapéu para amparar-me a cabeça dos raios do sol; neste estado de miséria vim-me arrastando até este ponto (Santana de Paranaiba) onde declarei ao sr. delegado de polícia a minha chegada que foi a 18 de maio, e apresentei-me a ele declarando ser daquele dia em diante um soldado voluntário da pátria, e protesto haver todos os meus prejuízos, e se eu sucumbir na luta ficará o direito para o meu sócio Sr. D. Manoel Cabaça, de Corumbá para fazer as necessárias reclamações. - Francisco Carvalhaes Silveira - Vila de Santana de Paranaíba, 27 de maio de 1865.


FONTE: ¹Ronan Garcia da Silveira, História de Coxim, Prefeitura Municipal, Coxim, 1995, página 30. ²Taunay, Marcha das forças, Companhia Melhoramentos de São Paulo, São Paulo, 1928, página 142. ³Correio Mercantil (RJ) 31 de julho de 1865.





24 de abril

1912 - Inaugurada usina de energia elétrica de Corumbá

Em funcionamento desde 6 de janeiro, quando foi entregue o serviço de iluminação pública da cidade,, é oficialmente inaugurada a usina elétrica da Corumbá:

"Em meio de numerosa e seleta concorrência, na qual se destacavam muitas famílias, o dr. Secretário de Agricultura e o inspetor da Região Militar, foi ontem inaugurada oficialmente a usina hidrelétrica Rosaura, da Companhia de Eletricidade de Corumbá, ao mesmo tempo batizada pelo capitão de fragata Wanderley, Intendente Geral do Município.

Após o discurso do representante da empresa, fazendo entrega da usina, abriu-se a chave comutadora, dando luz à toda a cidade.

Foram padrinhos o almirante José Carlos de Carvalho e dona Amália Wanderley".

FONTE: O Debate, (Cuiabá) 26 de abril de 1912.



24 de abril
 
1912 – Câmara doa áreas a entidades



De autoria do vereador Amando de Oliveira a Câmara de Campo Grande recebe projeto de lei reservando várias áreas do município com finalidade de utilização pública:
 
“Art. 1º - Ficam reservados para terrenos de utilidade pública e para os fins que se destinam, os seguintes: Na quadra urbana – a) As quadras entre as ruas 14 de Julho e 24 de Fevereiro (atual Rui Barbosa), Cândido Mariano e Antônio Maria Coelho;
b) Os lotes ns. 63 e 65 na rua Cândido Mariano para a sede da Sociedade Agro-Pecuária do Sul;
c) Para Grupo Escolar os lotes 8 e 10 na avenida Marechal Hermes (atual Afonso Pena);
d) Para Mercado e Praça entre as ruas Afonso Pena (atual 26 de Agosto), Anhanduy e 15 de Novembro;
e) sem registro;
f) Para Praça da Matriz, a atual 2 de Novembro, que passará a denominar-se Praça Santo Antônio; e
g) Para sede da Sociedade Operária os lotes 2 e 4 da rua Cândido Mariano, esquina da rua 24 de Fevereiro (atual Rui Barbosa).”




FONTE: Cleonice Gardin, Campo Grande entre o sagrado e o profano, Editora UFMS, Campo Grande, 1999, página 142.




24 de abril

1912 – Chega a idéia do telefone em Campo Grande





O farmacêutico Ataualpa Carvalho encaminhou requerimento à Câmara Municipal, acompanhado de minuta de um contrato para a instalação de uma rede telefônica. A iniciativa resultou na abertura de concorrência para a exploração do serviço, que chegaria a Campo Grande somente no final da década, “com a instalação dos primeiros telefones de magneto, com pilhas e manivelinha, para as chamadas ao centro, que fazia as ligações solicitadas. Tão poucos eram os aparelhos que ninguém pedia o número, mas o nome da pessoa chamada.”
Segundo Paulo Coelho Machado, "a primeira telefonista profissional foi Idalina Mestre, viúva do primeiro intendente de Campo Grande, Francisco Mestre. A mesa telefônica estava instalada na residência dela, na rua 14 de Julho, defronte ao jardim, mais ou menos no meio da quadra. Era uma mulher robusta, pele rosada, cabelos claros, atenciosa e amável."



FONTE: Paulo Coelho Machado, A rua velha, Tribunal de Justiça, Campo Grande, página 182.


24 de abril

1927 - Assassinado juiz de Direito de Corumbá 









Vítima de atentado à bala, ocorrido dois dias antes, morre eu sua casa, o juiz de Corumbá, Barnabé Gondim. O homicídio teve grande repercussão no Estado. Um dia antes de seu falecimento, o jornal A Cidade, de Corumbá, dá detalhes do atentado e da luta dos médicos para salvar a vida do magistrado:


Causou grande mágoa no seio da sociedade corumbaense, o atentado do qual foi vítima, anteontem (dia 21), o Exmo. Sr. Dr. Bernabé A. Gondim, estimado Juiz de Direito desta comarca.


Eram 16 e meia horas, mais ou menos, daquele dia, quando o dr. Gondim, estando em sua residência, presencia a entrada ali de uma pessoa desconhecida que acabava de chegar de automóvel.


Depois de algumas palavrar, tenta essa pessoa conduzi-lo apressadamente para o veículo com o intuito, certamente, de sequestra-lo ao que o M.M. juiz procurou resistir.


Entrementes uma criança que presenciava os últimos momentos da contenda, foi-se assustada para o interior da casa, levando ao conhecimento das pessoas que lá se achavam, aquele fato que acabava de assistir. Antes porém que alguém chegasse ao local, ouviram-se três tiros consecutivos, dois dos quais atingiram a pessoa do dr. Gondim, nas seguintes posições: 1° projetil – um ferimento na face anterior do terço superior do antebraço esquerdo, cujo projetil se acha na face posterior logo abaixo da pele; 2° projetil – um ferimento na região escapular direita, (orifício de entrada). Um outro no bordo esquerdo do externo no 2° espaço intercostal (orifício de saída). Este ferimento lesou o pulmão direito o qual apresenta um grande hematorax (derrame de sangue); um ferimento do bordo interno da mão entre o polegar e o index, outro no bordo interno, (orifício de saída da bala) que fraturou os metacarpianos na sua trajetória; - este ferimento deu-se com o mesmo projetil que perfurou o tórax.


O desconhecido que não chegou a ser visto pelas demais pessoas da casa do dr. Gondim, tão logo disparou a última bala, tomou o automóvel em que veio e fugiu apressadamente.


Prontos recursos médicos foram dispensados pelo dr. Nicolau Fragelli, que casualmente se achava no interior da residência do ofendido, prestando os seus serviços profissionais a um doente. Não se fez tardar para que também chegassem os drs. Gastão de Oliveira, João Leite de Barros e Cap. dr. Francisco de Oliveira, os quais prestaram espontaneamente os seus valiosos serviços.


Durante o resto da tarde daquele dia, esteve completamente repleta a casa do dr. Bernabé Gondim, de grande número de pessoas de todas as classes sociais que lhe foram visitar.1

O dr. Gondim, mesmo diante de todos os esforços dos médicos para salvar-lhe a vida, não resistiu. Sua morte foi lamentada em todo o Estado:

Vítima de bárbaro e covarde atentado, desapareceu do mundo dos vivos, a 24 de abril p. passado, em Corumbá, o ilustre dr.Bernabé Gondim, juiz de Direito daquela comarca.


Conforme telegramas enviados daquela procedência às nossas autoridades e imprensa, foi alvejado o dr. Gondim a 21 do referido mês, por três tiros, em sua própria residência pelo indivíduo de nome Antonio Malheiros, pronunciado por aquele magistrado, por crime de homicídio, praticado no ano passado, na pessoa do açougueiro Dutra.


O facínora que andava foragido desde que praticara aquele assassinato, viera após a respectiva pronúncia, a cavalo até Ladário, deixando ali a sua montada, tomou um auto e dirigindo-se à casa de residência do dr. Gondim, desfechou-lhe 3 tiros, fugindo, em seguida à toda força no mesmo auto e, retomando o seu cavalo, em Ladário, ganhou o rumo das suas terras, perseguido por forte escolta da força pública.


Impotentes foram todos os recursos da ciência para salvarem o dr. Gondim, que veio a falecer no dia 24, pelas 17 horas.


Com justa razão abalou toda a nossa sociedade que de perto conhecia o juiz de Direito de Corumbá.


Por haver pronunciado um criminoso por crime de morte perdeu a vida. É uma vítima do cumprimento do dever.


Era incontestavelmente um bom o dr. Gondim; incapaz de ofender ou melindrar a ninguém, incapaz da menor violência como bem o demonstrou durante o período de 4 anos em que ocupou o cargo de chefe de polícia do Estado e por isso, a ninguém poderia ser dado imaginar que viria cair como caiu, vítima do braço homicida.


Pai de família exemplar como sempre foi notado, deixa viúva e filhos menores na mais cruel desolação.


Registrando esse triste acontecimento acompanharemos a ação da justiça que com fundas razões antevemos se fará sentir enérgica para com o bárbaro criminoso, desafrontando assim não só a sociedade corumbaense mas toda a mato-grossense de um agravo como esse de profunda a tristíssima repercussão.2




PRISÃO DO CRIMINOSO - Notícia do Jornal do Comércio (Campo Grande) de 13 de julho de 1927, informa que foram presos, "domingo último em Porto Guarani, o bandido Antonio Malheiros, seu irmão Luis Malheiros e os seus comparsas Antonio Pereira e Guilherme Pereira, sendo o primeiro autor do bárbaro crime da morte do íntegro juiz, dr. Bernabé Gondim".

Em 28 de janeiro de 1942, Antonio Malheiros foi morto em confronto com a polícia, em sua fazenda no município de Bela Vista.


FONTE: 1Jornal A Notícia (Três Lagoas) 28 de abril de 1927, transcrição de A Cidade (Corumbá) 2Jornal A Cruz (Cuiabá), 1° de maio de 1927.

FOTO: Reprodução de editorial do Jornal do Comercio (Campo Grande), 25 de abril de 1927.

OBISPO MAIS FAMOSO DE MATO GROSSO

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